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Neste Natal não coma o presépio Imprimir E-mail

O Instituto Nina Rosa, autor da frase acima, é dedicado à proteção dos animais, tendo produzido o conhecido vídeo "A Carne é Fraca", onde são mostrados os padecimentos dos animais sob a mão "humana".

Circulando no YouTube, há outro vídeo daquele instituto abordando procedimentos de vivissecção (operações cirúrgicas para pesquisa em animais vivos), intitulado "Não Matarás". Ali, depoimentos de profissionais da saúde falam da incongruência de se "matar para salvar", abrindo animais sob gemidos mal disfarçados pelo atordoamento com éter. Alguém faria isso em pessoas? Os animais sentem menos dor que elas?

De maneira horripilante a internet tem nos trazido cenas de maus tratos aos animais, desde os confins da China - onde cães são dependurados num gancho, tendo sua pele arrancada enquanto ainda vivos - até os dolorosos confinamentos para engorda e os muito concorridos "rodeios" em nosso país. Nessas festas, submetendo à prova "corajosos peões", os touros são obrigados a saltar mostrando sua "ferocidade", sob a dor dos laços que lhes pressionam os testículos e da pimenta que lhes devora as entranhas.

Pela vertente da preservação do planeta - e da vida que ele abriga - têm sido mostradas reportagens sinalizando o esgotamento, em algumas áreas, de recursos essenciais como a água doce, que corresponderia a apenas 1,5 litros dos 1.000 litros equivalentes para o total da água disponível no mundo. Com respeito ao uso da água, a Wikipédia traz a informação de que são gastos 16.726 litros de água para produzir um quilo de carne bovina, contra 2.552 para produzir um quilo de arroz ou 133 para um quilo de batata.

Assinala a Wikipédia também que "de acordo com o biólogo estadunidense Edward Wilson, da Universidade Harvard, só será possível alimentar a população mundial no fim do século se todos forem vegetarianos. A questão pode ser traduzida em termos matemáticos: se por um lado a produção de grãos de uma fazenda com 100 hectares pode alimentar 1.100 pessoas comendo soja ou 2.500 com milho, por outro, a carne produzida a partir da utilização da mesma área para produção de ração bovina ou pasto alimentaria o equivalente a oito pessoas".

A Revista Sophia n° 26 (Editora Teosófica), em reportagem sob o título "Indústria da carne e aquecimento global", assinala que "um relatório alarmante da FAO, publicado em 2006, indica que os estoques de animais vivos mantidos para alimentação humana têm mais responsabilidade pelas mudanças climáticas do que todos os veículos automotores do mundo. "No total, nada menos de 18% de todos os gases causadores do aquecimento global são gerados apenas pela indústria da carne".

Dessa forma, podemos estar nos aproximando da realidade de que - por compaixão dos animais ou risco de extinção - o ser humano seja levado a mudar seus hábitos alimentares, entre outros. Contudo, se usarmos como sinalizador o tímido resultado da "Conferência de Copenhague", sob influência dos países mais ricos, é difícil acreditar que a mudança desejada ocorra antes que a possibilidade de extinção predomine.

Assim, com relação à antiga lógica "Que se vão os anéis e fiquem os dedos", o homem contemporâneo - ao considerar o conforto, a gastronomia e o lucro mais importantes do que a vida - parece escolher a salvação dos anéis. Para quem?


Walter da Silva Barbosa é professor, economista, membro do Conselho Nacional da Sociedade Teosófica e diretor da Associação Educacional Annie Besant, em Campo Grande - MS
Última atualização em Ter, 22 de Dezembro de 2009 09:50
 

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